Cota Zero é renovada por mais três anos 

07/04/2016 16h44 - Atualizado em 14/04/2016 17h49

Os rios goianos são, sem dúvida, um dos maiores patrimônios de nosso Estado. Sua biodiversidade e seu volume de água são fontes indispensáveis de recursos que possibilitam todas as atividades econômicas e de abastecimento hídrico e alimentar da nossa população. 


Todavia, com o aumento do consumo e a captura exagerada e sem critérios dos peixes que povoam as bacias hidrográficas goianas, a fauna aquática tem sofrido uma séria redução em volume e espécies nos últimos anos. Este problema fez com que Goiás tivesse que tomar providências para que o problema não atingisse um nível irreversível. Entre estas providências, o destaque é a Lei que instituiu a Cota Zero para o transporte de pescado em âmbito estadual. Proposta pelo deputado estadual Frederico Nascimento, regulamentada pela antiga Semarh, hoje Secima, e sancionada pelo Governador Marconi Perillo, em 10 de abril de 2013, a Cota Zero chama a atenção pelo impacto imediato que causou e os benefífios ambientais e econômicos que dela surgiram. 

Com validade de três anos, a Lei da Cota Zero será renovada. A solenidade que marcará esta nova etapa da Cota Zero vai ocorrer no dia 11 de abril, no Sesi de Aruanã, e contará com a presença do secretário das Cidades e do Meio Ambiente, Vilmar Rocha, além de representantes das instituições de preservação ambiental e ribeirinhos . 

Fruto de discussões com setores da administração pública e da sociedade organizada, a Cota Zero veio com o objetivo principal reduzir a pesca que excede o volume necessário para consumo local. Vale destacar que a Cota Zero não proíbe a pesca, mas somente o transporte de peixes dentro das fronteiras de Goiás, exceto nos casos de espécies exóticas à fauna aquática das bacias hidrográficas goianas ou para fins científicos. A Lei valeu por três anos e, conforme os resultados positivos na recuperação da fauna aquática e do fortalecimento do turismo da pesca esportiva, O Governo de Goiás acredita que a Cota Zero deve ser renovada, sobretudo porque o processo de recuperação da ictiofauna ainda não está concluído, e que dar fim à Cota Zero significaria um retrocesso na política ambiental goiana.

Cabe às equipes de fiscalização da Secima, ao Batalhão Ambiental, ao Ibama e às secretarias municipais de Meio Ambiente realizar o trabalho de coibir o transporte de pescado. As operações de fiscalização e abordagens aleatórias mostraram que menos de 0,5% transportavam peixes em seus veículos, dado que comprova que a maioria da população tem respeitado a Cota Zero e compreendido sua necessidade. Outro foco de fiscalização são as peixarias e restaurantes que comercializam pescado sem nota de procedência, um trabalho que exige mais inteligência do que número de agentes. 

É notório que ainda há pessoas que insistem em desrespeitar a Cota Zero, gente que não percebe o dano que está causando ao meio ambiente, à economia e a si mesmos, pois, em breve, podem não tem mais o que pescar. Cedo ou tarde esses infratores vão ter que encarar o rigor da Lei ou da escassez de peixe para consumo e comercialização.

Mas além de simplesmente coibir e repreender, a Cota Zero conta com o apoio da população, o que tem sido grande. Muitos ribeirinhos, gente que precisa de rios piscosos para viver e sustentar suas famílias, se tornaram verdadeiros parceiros da iniciativa, informando os fiscais dos locais onde há atividades de pesca predatória e transporte de pescado. Entre os próprios pescadores esportivos, a medida foi muito bem recebida, e a tentativa de fazer com que Goiás volte a ser um dos melhores locais para a prática desse esporte tem dado resultado. O turismo de pesca esportiva está em crescimento no Estado, atraindo turistas e investimentos, gerando empregos e renda de forma limpa e sustentável. Mais do que uma lei, a Cota Zero foi integrada pela população como um símbolo da preservação ambiental de Goiás.